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domingo, 15 de dezembro de 2013

E o que o Sou o que sou me diz?

Sou o que sou,
Disse Deus uma vez,
Isso foi a um mês,
Perguntei hoje,
E ele nao se lembrou.

Onde está o sou o que sou?
Encontrei-o em meus pensamentos,
Que legar é este que me levou?
É o mundo dos arrependimentos.

Terra com cara d'água,
Sou presa no bico de águia.
Sou um nada no mundo dos ninguém.
Sou o que sou, me diz.
Se é normal,
Viver assim...
Sem ser feliz...

Por que voce é mais importante?
Por acaso sou mais um tratante?
Por que desses medos?
Me ajude, sou o que sou.

Nessa terra com cara de água,
Quero afogar minha mágoa.
Nesse ar com cara de fumaça,
Quero me sufocar com desgraça.

Me sufocar com desgraça,
É sem graça...
Mas é de graça...
E isso eu posso pagar.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Um conto de natal

                Em véspera de natal todo mundo fica feliz, as famílias se reúnem, os amigos se presenteiam, e por aí vai, mas há sempre um espectador, alguém que nunca é visto e sempre está lá, normalmente uma criança tímida com um amigo imaginário, ou um amigo imaginário com uma criança tímida, não importa, está lá.
                Kevin não era humano, nem um amigo imaginário, pois ele existia eternamente, estava mais para um fantasma, o estranho é que ele só acordava nas vésperas de natal, como se ontem houvesse sido véspera de natal, hoje também, e amanhã novamente. Cada dia seu, era um local diferente no globo, ontem em Toronto no Canadá, hoje em Fukushima no Japão, e amanhã é sempre uma surpresa, as vezes em lugares que nem se comemora o natal.
                Era mais uma véspera de natal, dessa vez ele estava em alguma cidadezinha do interior do Brasil, estava sentado num meio-fio pensando no tempo, o seu tempo.
                —Oi. —Disse uma garota a ele.
                —Oi. — Respondeu Kevin, com leve surpresa.
                A menina se sentou ao seu lado.
                —Você parece estar triste, por quê?
                Kevin pensou um tempo e respondeu:
                —Não sei ao certo, acho que é por que não sei o motivo da minha existência, talvez seja alguma bobagem, só sei que mal consigo pensar e já me entristeço.
                —Deve ser bem ruim estar triste na véspera de natal, eu não queria estar na sua pele.
                —E você não está ajudando muito a melhorar isso, não é? —Disse Kevin que começava a se incomodar com a garota.
                —E por que você pensa que precisa de ajuda? Parece que só depende de você para ver o lado bom das coisas, e com certeza existe uma razão para você estar aqui.
                —Não acho inteligente o modo como você vê as coisas, pra começar que você não é normal já que está conversando comigo, e não consigo ver um lado bom para você em me ver.
                —Eu vejo você triste e quero mudar isso, e esse é o lado bom.
                Kevin pensou.
                —Você também é um fantasma, não é?
                —Sou meio fantasma. Metade de mim está encarnada e presa à carne, mas posso ver, tocar, sentir seres ectoplasmáticos, pois sou o lado bom do natal, sou a felicidade.
                —Você não parece ser muito feliz para ser a felicidade..
                —Mas também não estou triste para ser considerada a tristeza. — Ela olhou-o atentamente e continuou. —Quando você descobrir sua razão de existir, irá virar metade carne também.
                —O que sou então?
                —Isso você vai descobrir sozinho.
                —E quando vai ser?
                —Vai depender de você. — Então ela beijou-lhe a testa e foi embora, deixando-o com suas perguntas engasgadas.
                Kevin nem viu quando ela foi embora, estava conversando sozinho olhando para o chão. Quando percebeu que estava sozinho, riu da situação, levantou-se e começou a andar. Ao passar por um hospital, resolveu entrar.
Enquanto os enfermeiros e médicos trabalhavam forçadamente para cumprir horário havia várias pessoas deitadas nos corredores, em macas nos quartos, alguns já com o lençol branco por cima do rosto, e suas almas aflitas ansiando deixar seus corpos. Kevin se comoveu com a aflição deles e os auxiliaram. Depois de ajudar à todas as almas saírem de seus respectivos cadáveres, algo começou a acontecer com Kevin, e sua cabeça doía, seus membros amoleceram, então ele desmaiou.
                Kevin acordou com uma enfermeira medindo sua temperatura.
                —O senhor está se sentindo bem? Acabou de levar um tombo. —Perguntou a enfermeira.
                Kevin apertou os olhos para ver quem falava com ele.
                —Quem é você?
                —Sou uma enfermeira do hospital.
                —Quero saber que fantasma você é. —Disse naturalmente Kevin.
                —Ah! Já entendi. Acompanhe-me senhor, por favor, vou levá-lo até a área psiquiátrica.
                Então Kevin soube que ela era humana, pois não entendia do que ele estava falando, e nem ele do que ela falava.
                —Desculpe, não pretendo conhecer sua psiquiátrica. Vou para casa. Onde fica a saída? —Disse Kevin à enfermeira.
                Enquanto Kevin de dirigia a saída, ele percebeu que algo havia mudado nele, mas ainda não sabia dizer o quê, mas diferente de antes sua cabeça doía com a pancada que levou ao cair no corredor.
                Ele sentiu agonia em todos os lados, ele era um radar de agonia humana, e ela estava mais do que presente ali. Ele foi até uma sala onde tinha uma senhora vivendo por meio de aparelhos, segurou-a na mão, conversou um pouco com a alma que estava presa à carne, e então lhe puxou do corpo, a senhora agradeceu, deu as costas ao Kevin e entrou num turbilhão de luz, que Kevin enxergava muito bem, era o paraíso dela.
                Ao sair do Hospital, a felicidade estava à espera dele.
                —Oi. —Disse ela.
                —Oi. —Disse ele.
                —Então, descobriu qual sua razão de existir?
                —Sim. —Respondeu ele secamente.
                —E qual é? —Perguntou ela com ansiedade.
                —Eu sou o auxilio dos aflitos, para não passarem o natal com dores, tantos as da carne, quanto às da alma. — Respondeu secamente de novo.
                —De certa forma, é belo.
                —É sim. —E deixou-a para trás para ir até um motoqueiro que havia acabado de se acidentar.

                Assim foi o dia de Kevin, e quando chegou as 23:59 do dia, ele sumiu, mas logo acordou no dia 24 de dezembro do outro ano, dessa vez em Buenos Aires na Argentina.


                                                                                                                             Lúcio Umpierre

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A sombra

     Ricardo se despedia da namorada para ir para casa, era tarde da noite, mas ainda não havia virado o dia. Ela morava no último andar de um prédio, e no corredor de frente aos elevadores, eles davam o último beijo quando um raio caiu bem perto.
     __Se um raio cair em cima de mim enquanto eu estiver indo para casa, saiba que morri brilhando.__ Disse Ricardo rindo.
     Sua namorada respondeu com um tapa no peito e disse:
     __Não brinca com isso. As palavras tem poder.__ E então abraçou Ricardo, que deu um sorriso torto de prazer.
      Ricardo entrou no elevador apertou o botão com número um, deu uma última piscadela para sua namorada antes de a porta fechar e esperou o elevador começar a descer, pegou o celular para olhar as horas e viu que estava sem bateria.
     __Pra variar__ Resmungou Ricardo para si.
     Ao passar na portaria, o guarda noturno estava dormindo, ele abriu a porta sem fazer barulho e foi para casa. Sua casa não era longe, mas também não era perto, sem falar que é perigoso sair de noite a pé.
     O céu estava nublado e trovejando, a chuva era iminente, portanto ele sabia que tinha de ser rápido, o que não adiantou, pois não fazia cinco minutos que havia saído da residência de sua namorada e começou a chover. Ele correu até um mercado que havia no caminho, onde ele sabia que tinha um toldo que ia protegê-lo da chuva. Chegou ao toldo, e despencou água do céu. O toldo estava rasgado e mal colocado na parede, chovia tanto dentro quanto fora. Ricardo olhava para a praça que tinha em frente ao mercado, com enfeites de natal, quase não se via eles, dava-se de saber pelas luzes quase ocultas na chuva.
     Ricardo se lembrou da lanchonete que tinha ao lado do mercado e que tinha um toldo bem maior e provavelmente em melhor estado, correu uns segundos na chuva, e chegou lá. Havia um casal também, e para evitá-los, Ricardo foi para o outro lado do toldo, que não chegava uma gota de chuva sequer. Cansou de esperar e sentou-se, estava um pouco sujo o chão, mas não estava molhado. Cansado e com sono, Ricardo brigava consigo mesmo para não dormir, mas não adiantou, e ele caiu no sono.
     Ele acordou com um grito de repente. A chuva ainda caía pesadamente, e ele supôs que não dormiu muito. Olhou para o lado, e viu a mulher tentando arrombar a porta da lanchonete desesperadamente, olhou para onde estavam antes, e viu uma espécie de sombra puxando o corpo do homem que estava inconsciente ou morto para a água que corria escura na rua, era raso, pois não era nenhuma enchente, mas o corpo sumiu na água, como se fosse um rio que tinha ali. Ricardo estava assustado, a mulher havia batido a cabeça enquanto tentava arrombara a porta, e estava desmaiada no chão.
     Ricardo foi tentar acordá-la, mas sem sucesso, e ao olhar para o lado ele viu outra sombra saindo da água. Ele colocou a mulher nos ombros e saiu correndo na chuva, quando chegou  na esquina, ele foi obrigado a entrar na água, e como esperado, era raso. Ele correu para a praça, e tropeçou num banco que a chuva escondeu, e com a queda, a mulher acordou. Ela viu a sombra e gritou. Parecia um rugido de tão poderoso que foi o grito.
     __Não basta todos que você tirou de mim? O que mais você quer de mim?__ Gritava a mulher.
     A sombra tremeluzia na chuva, mas podia ser vista, era lenta, mas não se podia deixar enganar. A mulher pegou uma barra de ferro que tinha por ali, e correu na direção da sombra, girou a barra que atravessou a sombra como vento, e a mão da mulher adentrou a sombra também, ela soltou um grito de agonia, a sombra parecia engolir de pouco em pouco o braço da mulher. Ricardo foi até ela e puxou seu braço, estava sem a metade o antebraço, então Ricardo fez um torniquete com sua regata, e perguntou para ela:
     __Você sabe o que é aquilo não sabe?
     __É o tipo de coisa que você não gostaria de saber.__ Respondeu ela se levantando.
     __Mas que agora sei que existe, só não sei o que é, dá no mesmo, me diz logo que porra é aquela.
     __Meu ex-namorado.__ Disse ela olhando para os lados a procura da sombra.
     Ricardo parou para juntar as palavras novamente em sua cabeça, não conseguia dar um sentido para elas.
     __Como assim?__ Disse ele perplexo.
     __Meu ex, eu o matei, e ele vem me atormentando. __Disse ela como se fosse algo normal.
     Ricardo pegou uma pedra que era do tamanho de sua mão, e bateu atrás da cabeça dela. Deixou o corpo dela estatelado lá na grama da praça, e saiu, ao olhar para trás, viu a sombra que tomou a forma de um homem, movimentou positivamente a cabeça, e Ricardo respondeu com o mesmo movimento. O homem olhou para cima segurando a mulher pelo pescoço, e um raio caiu em cima deles. Como Ricardo não estava longe, o raio se propagou pela água e a carga elétrica passou pelo corpo de Ricardo, que caiu.
     Ao acordar, Ricardo percebeu que não estava em casa, apertou os olhos para ver de onde vinha tanta luz, e reconheceu o lugar como um quarto de hospital, sua namorada estava com a cabeça deitada sobre seu colo e ela dormia. Ricardo passou as mãos nos cabelos dela que acordou imediatamente.
     __Oh! Meu amor, fiquei tão preocupada aquela noite. Você não respondia minhas mensagens, e quando eu ligava dizia que estava desligado.
     __Tinha acabado a bateria. __Disse ele sorrindo por saber que poderia aproveitar mais da vida.
     __Eu te amo. Não me dê outro susto desses.__ Disse ela com deleite na voz.
     __Não pretendo! __Ele fechou os olhos brevemente e ao abri-los, ele viu uma sombra com cabelos esvoaçantes atrás de sua namorada.

     Ricardo sabia. Era aquela mulher.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A vida

Vida!
Temida!
De idas,
E vindas!
Sofrida!
Vencida!
Vivida!
Miúda!
Moída!
Longe da morte,
Com sorte!
Me ensina,
E fascina,
O poder,
Natural,
E desigual
Dos homens,
Que somem
A cada dia,
Quem diria?
Vivo sem querer,
Querendo viver!


                                              Lúcio Umpierre

A fonte de Taguatinga

A fonte,
no horizonte,
me desmonte.

Rodeada de seres sem valor,
que não recebem,
a energia de seu esplendor.

Que na luz refletida
da alvorada,
a natureza agredida,
exaltava.

Que na luz refletida,
do crepúsculo,
me deixa e eu fico,
lúcido.

Olho para cima
e vejo um relógio.
Quebrado! Para variar,
pois foi assim que gostei,
não vi a hora passar.

A água,
que parecia levitar,
de repente
vinha me abraçar.

Mas não fiquei molhado,
eu fui,
apaziguado.

Agora apaixonado,
pela violenta calma,
fui fisgado,
era um anzol na alma.

Chegou a hora,
de ir embora,
e com demora,
fui,
pensando em voltar!

                                                                                                              Lúcio Umpierre

Pasárgada?

Sou brasileiro!
Não vou-me embora pra pasárgada,
Pois não tenho passaporte!

Sou do sertão do nordestino!
Não vou-me embora pra pasárgada,
Pois não tenho sorte!

Sou famoso!
Não vou-me embora pra pasárgada,
Pois lá não tem status!

Sou filósofo!
Não vou-me embora pra pasárgada,
Pois lá não tem resposta!

Sou poeta!
Não vou-me embora pra pasárgada,
Pois lá não tem a inspiração!

Sou capitalista!
Não vou-me embora pra pasárgada,
Pois lá não tem dinheiro.

Na verdade,
Sou ignorante!
E não vou-me embora pra pasárgada,
Pois não sei onde fica.

                                                                                                           Lúcio Umpierre

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Sou crítico

Eu sou crítico
Em tudo que faço Procuro defeito Não sou cínico Sei que nao posso Ser perfeito

Tem que estar nos conformes..
Não ligo pra moda
Nem sei o que é forbes..


E procuro a mulher perfeita,
Perfeita pra mim..
E já fiz minha escolha..
Sim, você é a eleita..
Você q é perfeita pra mim..
Você tem cócegas no pescoço,
Você tem curto pavio,
Se sou cachorro,
Então, você é meu osso..


E me sacaneia também..
Que bom, continue assim..
Te sacanearei.. amém..


Tudo em minha volta,
Mas eu sou crítico,
Você tropeça no meio fio,
Você ri das minhas piadas ruins..
Por que sou crítico..
E você é perfeita para mim..

                                                                 Lúcio Umpierre

Toga negra

    Lembro-me pouco daquele dia, mas me lembro dele. Seria difícil não lembrar, já que era o único usando aquelas vestes, parecia uma toga negra esfarrapada que parecia já ter enfrentado guerras com espadas, machados, lanças, e também de guerras com aramas de fogo e destruição em massa, e por incrível que pareça não foi só sua roupa que me chamou atenção, pois sua cabeça era só a caveira, que de tão branca, parecia ter sido polida todos os dias, e havia uma barba na caveira, daquelas grandes que vinham até o tórax, e não era nem branca nem negra, era ruiva, de um vermelho vivo equiparável ao sangue.
    Eu o vi, e ele me viu.
    Dei meia volta, e lá na frente eu vi ele de novo. Virei para o lado e saí correndo, não olhei para trás.
    Corri.
    Corri.
    Então senti um toque suave na nuca, e tudo girou, as ruas, os prédios. a cidade, o estado, o país, o continente, o planeta, o sistema solar, a via láctea, o universo, e eu vi um por um, sempre girando, e logo apaguei.
    Ao acordar, não abri os olhos, sentia medo, teria sido um sonho? Não sabia dizer. Tudo o que eu sentia era um sabor de bílis na boca que indicava que eu havia vomitado. Não ouvia nada a não ser meu batimento cardíaco e meus pensamentos, não havia cheiro nem dor, me sentia suspenso no nada, pois parecia que nada me segurava e nada me apoiava.
    Abri os olhos e enxerguei vários pontos brilhantes e distantes, concluí que eram estrelas. Fui me virar para ver onde estava deitado e comecei a rodar no vácuo.
    Foi um choque. Eu estava no espaço.
    Como eu estava vivo? Não sei, pelo que lembro, respirava normalmente, acho que fiquei um pouco enjoado pela falta de gravidade, mas foi só.
    O desespero começou a fazer parte de mim, até que pensei que não me ajudaria em nada, e comecei a pensar: O que eu fazia ali? Como fui parar ali? Por que fui parar ali?
    Então eu ouvi:
    __Seus pensamento são bem inquietos__ Disse uma voz rouca, como se não tivesse cordas vocais, eu me virei e vi o ser da toga negra, mas dessa vez com uma jaqueta vermelha e jeans, a barba estava prateada.
    __Você não tem um bom senso de moda__ Foi tudo o que eu disse seguido de um sorriso torto, que pareceu divertir o caveira.
    __E você não tem senso de moral, e é por isso que não enlouqueceu aqui ainda, e é por isso que escolhi você__ Disse o caveira.
    __Poxa! que bom! Não faz ideia de como me sinto honrado ao ouvir isso.__ Eu disse de forma sarcástica, e ele respondeu com uns engasgos que eu acredito que eram risadas.
    __Parabéns! Não vou nem testá-lo! Vou me aposentar agora mesmo. Boa sorte garoto rato! O espírito do porco lhe agradece. Daqui mil anos escolha o próximo.__ E ele jogou algo para mim que veio flutuando devagar.__ Essa é sua foice. Não ela necessariamente precisa ser uma foice, esse é só o nome dela, você pode dar a forma que quiser à ela, eu gostava da espada persa, mas de vez em quando usava outras.
    Quando finalmente a foice chegou a mim e eu a peguei, o caveira branca sumiu, e eu senti tudo mudando, eu via e ouvia à milhões de anos-luz, e aquilo que eu supus serem estrelas, eram na verdade galáxias, e eu estava no centro de tudo, uma escuridão total.
    Me senti mais forte, mais rápido, mágico, me senti impossível. Passei a mão no rosto e o senti duro, maciço como osso, então espantado peguei a foice e pensei em um machado grande e com grande capacidade de refletir, e nele eu me vi, uma caveira negra com um bigode cheio e bem arrumado de cor verde, daquele verde bem escuro.
    Então na lâmina apareceu: "Do porco para o rato".
    Eu soube naquele momento que eu era algo que não temia, mas evitava. Eu era a morte.



                                                                                                             Lúcio Umpierre

Onde há fogo, há fumaça

    O Fumaça nunca soube responder por que fugiu  de casa, talvez fosse problema com a família, talvez ele tenha se envolvido com coisas que não deveria, mas uma coisa era certa, ele fugiu de casa.
    Ele já tinha lá seus dezesseis anos de vida, pelo que me disse, e sonhava em ser um ator famoso, tipo esses de Hollywood, mas é claro que a vida não foi tão boa para com ele, e no fim ainda era apenas um garoto que fugiu de casa.
    Eu nunca soube seu verdadeiro nome, e nunca perguntei. Apresentei-me como Faísca, e ele respondeu rindo:
    __Fumaça, prazer.__ Era uma voz melancólica e cheia de energia, como se tivesse fingindo que tudo estava bem, mas era evidente que não, já que ninguém conversa comigo, a não ser mortos.
    Fumaça havia morrido e não sabia, e eu não ia contar para ele, pois os mortos não reagem bem a morte, se você diz a uma pessoa morta que ela morreu, há a possibilidade de ela tirar sua vida para provar o contrário.
    Não sou médium, sou uma espécie de ser astral que convive com os mortos, não sei dizer se o que sou provém da evolução natural, ou se é uma praga divina, mas seja o que for, não dou  a mínima, gosto de ser o que sou, pois gosto de ouvir os mortos falando sobre a vida, muitas vezes chega a ser engraçado.
    Foi diferente com Fumaça, ele falou pouco, e o resto do tempo que ficamos juntos, ele ficou me observando, e depois de um tempo ele riu.
    __Rindo do quê?__ Perguntei.
    __De você, do que mais seria? Estamos sozinhos.
    __Poderia ser uma lembrança__ Eu disse tentando arrancar alguma informação dele, mas vendo que nada diria, continuei__ O que tenho de engraçado?
    __Gosto de você, isso é engraçado, pois nunca goste de ninguém, nem mesmo meus familiares, e é por isso que seria impossível eu rir de uma lembrança, eu odeio tudo o que lembro.
    __Isso é bom, eu acho...__ E houve uma pausa longa, com ele olhando para o nada, e eu observando seus movimentos.
    Estávamos sentados em algum lugar olhando um céu roseado de fim de tarde, e de repente Fumaça enfiou a faca na perna, olhei atentamente para ele, e tudo o que ele fez foi observar o sangue escorrendo.
    __Já faz um tempo que percebi que essas coisas não doem mais, e acho que sei o por que.
    __E por quê?__ Perguntei.
    __É por que estou morto.
    __Sim, você está.__ Não tinha mais porque esconder, ele percebeu sozinho.
    __Você é a morte? Tipo aquela com a foice em cima do cavalo negro?
    __Não.
    __Bom.__ Ele ficou mais um pouco, se levantou e foi embora.
    __Onde vai?__ Perguntei.
    __Vou mostrar para os humanos como é estar morto.


                                                                                                            Lúcio Umpierre

O sono

Oh! Insônia!
Doença maldita!
Tenho sono,
E não durmo!
Isso me irrita!
Quero sonhar!
Poder voar!
No sétimo céu,
O planeta tira seu véu!
Tão belo è!
Tão perto!
Tão longe!
Agora,
Vivo assim!
Sonhando,
Sem dormir!
Oh! Insônia!
Não vá embora!
Você que me devora!
Eu não quero voltar,
Ao breu profundo
Deste mundo,
Imundo!
Tão azul por fora!

Passado sem fim

Pensei,
E uma ideia surgiu!

Surgiu,
E essa ideia fugiu!

Fugiu,
Acho que de mim, esqueceu!

Esqueceu,
E esse eu se perdeu!

Perdeu,
Em meio a confusao, pensei!

Bigode estranho

Rios de sangue é o que pretendo criar,
Uma praga pros males espantar..
Um ditador de bigode estranho vou ser,
Para fazer os impuros, para mim, perecer..

Entrar na historia como grande senhor,
Todos conhecerão todo o meu valor..
Sinta a emoçao saindo de suas entranhas,
Faça valer, o suor para nossa campanha..

Seja forte e impiedoso,
Se sobrar algo,
Que seja o osso.
Atacar nosso alvo,
O resto desse mundo nebuloso..

Se anjos existem,
Estao do nosso lado..
Pois somos a raça pura,
E o resto será expurgado..

Sejamos livres,
De toda essa covardia..
Tirei do pires,
O fogo que nos ardia..
E este fogo vou usar,
Contra aqueles que a mim,
Ousaram.. Usar..

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Fera

Sou fera tarada
Seu fera tarada..
Apetite insaciável
Fome de carne
Sua carne
Pode vir crua
Que eu asso..
Apetite de fera
Sou a fome que aflora
E cheira..
Sinta meu apetite insaciável
Sinta em você..
Será fome??
Sou fera com fome de você!!

                                                           Lúcio Umpierre

___piração

Inspiração?
Inspira e expira
Pira sem fogo
Ex-pira
Não pira mais
Pessoa comum
Cheia de eixos
Não inspira ninguém
Pessoa sem fogo
Uma ex-pira
Uma pira sem fogo
Sem graça
Cheia de cinzas
Ou óleo queimado
Pira aí
Inspire esse ar
Talvez você deixe-o de inspirar
Como já não inspira ninguém
Respira
Pois sua pira apagou
Pira aí...

                                                     Lúcio Umpierre

O Sol

O sol,
de repente
Brilhou mais forte!
Seus raios
feriam os fracos!
Os seres humanos,
raça inútil,
extinguiu-se por,
falta de protetor solar!

Mas,
entre esses seres,
eis que surge,
um ser desconhecido
pela sociedade atual,
um poeta!

E este ser,
escreveu,
pesquisou,
emocionou,
apaixonou-se
pelo sol!

E como poeta,
seguiu seus instintos,
criou asas,
fechou os olhos,
e ruflou,
dizendo
 “da terra não vivo mais!”

Ruflou,
e por muito tempo
ficou a ruflar,
em direção ao sol!

Esse poeta,
viajou,
viajou,
mas não se cansou,
e muito menos
desistiu!

Ele ainda está viajando,
mas ele sabe
um dia chega lá!
E do sol
q vai viver!
Do sol
q vai amar,
pois o sol
é um ser!

Este ser
que é a mais bela!
Que é a mais amável!
Que é a mais carinhosa!
Que é você!
Meu sol!
Meu amor!
                                                                         Lúcio Umpierre

Que ruim

Que desgraçado é o amor,
faz frio o meu calor!
E se não for?
Sentimental é essa dor!

Que descrença é amar,
faz alma chorar!
E se não sarar?
Irracional se calar!

Que desfeito é partir,
faz saudade surgir!
E se não curtir?
Natural fugir!

Que dramático é Ben Hur,
nem se quer pula o muro!!
Ou será um furo?
Normal ser impuro!

Que doideira foi fazer,
esse poema pra você!
Terminando de ler?
Sem igual, eu, como ser!

                                                    Lúcio Umpierre

Real

As pessoas esquecem
que somos humanos!
As virtudes desaparecem,
porque somos humanos!
Mas reaparecem,
porque existem devotos humanos!

De repente sou
apenas um fulano!
Que faz coisas desconhecidas
ditas por outro fulano!
Se somos iguais,
porque fulano fala de fulano?

Maldito o leitor
que não entende!
Para de ler,
e se defende!
De que adianta?
Oh! Indecente!

Só porque
é gente!
E como todos,
gente só mente!
Que do mundo é vazia,
e pra cabeça só tem pente!

Difícil de entender?
Eu não sou você!
Venha me conhecer,
e você verá o que eu quis dizer!


                                                               Lúcio Umpierre

Beleza?

Lúcio Umpierre


Por quê?


Realidade vírtuo-realista

A ilusão constrói,
a verdade destrói,
o coração dói,
não suma.
Oh! Pluma,
que ilude,
e não assume,
que fez parte,
da arte,
de um anjo,
malandro,
querubim palhaço,
fez estilhaço,
do eu lírico
um tanto cínico,
de um poeta,
sem metas,
apenas tentando,
e batalhando,
com a vida,
que insiste,
e persiste,
em ser,
para este ser,
irracional,
com alma igual,
a de um fugitivo,
em estado vegetativo,
que apenas pensa,
e dispensa,
quaisquer modos,
que logo,
faça deste amor,
sem calor,
crescer,
sem por que!!

                                                        Lúcio Umpierre

Descoberta

Eu pensei em ser eu,
aí pensei,
o que eu sou?

Não sabia a resposta!
Procurei nas pessoas,
procurei na família,
eu não era nada!

E na minha revolta,
frases bonitas,
críticas
sem noção,
se agruparam,
as vezes rimaram,
as vezes não!

Poxa!
Quem diria?
Sou um poeta
e eu não sabia!

                                             Lúcio Umpierre

Só ria


Você é tudo,
você é nada,
você é sorriso,
de cara fechada!

Criança...
linda e sapeca,
você é aquele sorriso,
de significado: aprontei!

Cômico e bonito,
mistura esse sorriso,
com o meu!

Só ria,
para sorrir depois,
só ria,
para misturarmos depois,
só ria...
Daquele jeito sapeca...
Com sonhos e metas,
se for...
Por nós dois!

Você é guerra,
você é paz,
você é o olhar,
que só você faz!

Garota,
linda e terrível,
você é aquele olhar
que diz: quero mais...

Bonito e hipnótico,
traz esse olhar,
de encontro ao meu!

Só ria,
para sorrir depois,
só ria,
para misturarmos depois,
só ria...
Com aqueles olhos gulosos,
por saciar-lhe os desejos,
se for...
Por nós dois!
                                                            Lúcio Umpierre

Coração de calcário

Posso ser assim..
Posso não enxergar,
Por mim,
Pode me segurar..

Você não deixa eu ver,
Tento pensar,
Mas pra onde olho,
Só vejo você..

Ta ficando chato,
Eu não ser o que sou,
Me perdi neste mato,
Que minha mente criou.

Coração de calcário,
Pedra pra otário,
Porem necessário
Para seres de raízes..
Para serem felizes..
Coração de calcário,
Adube bons valores,
Que cresça sem dores,
Para serem..
Pedra e raízes..
Para serem..
Sempre felizes..

                                                               Lúcio Umpierre

Sou o que sou

Eu sou diferente,
você pode perceber,
não sou nenhum doente,
mas louco eu posso ser...

louco, muito louco,
mas louco por você.
Empolgado estou
pra te chamar de amor!

Mas loucura tem limite,
não quero atingir o meu,
se um dia sofrer artrite,
o culpado é o romeu!

Mas que romeu é esse,
que entrou na historia?
Vai procurar a julieta,
e não roube minha gloria!

Como eu ia dizendo,
estou enlouquecendo,
preciso esclarecer
que quero você!

Quero continuar
ser louco
só um pouco
para dar o troco,
a este mundo
imundo,
profundo,
sem fundos,
sem eira
nem beira,
esteja faceira,
por eu querer amar,
querer..
amar..
você!!

                                         Lúcio Umpierre

Fritz e Frida

Fritz era um cara legal,
Não machucava a ninguém,
Tinha um bom gosto musical,
E fazia sushi muito bem.
Todos elogiavam suas becas,
Sempre foi um cara zen,
Descendia do próprio eureka,
Seu QI era mais de cem..

Fritz tinha um coração doce,
Se apaixonou ao conhecer alguém,
Ironia se não fosse,
Adivinha quem..

Frida era meio louca,
Amava física quântica,
Mesmo com inteligencia pouca,
Parece que saiu da mata atlântica.
Cantava lavando roupa,
Sonhando com o ninguém,
Até q um dia esse ninguém apareceu,
Se apaixonou então fedeu...

Naim naim naim..
No feda aqui também..

Tadinho do Fritz..
Foi esculachado,
Foi humilhado,
Teve o coraçao despedaçado,
Por um motivo mto aquém..
Se ele fedia,
Qual é o problema??
Eh só dar um perfuminho.
Q o cara vai se dar bem..

Fritz foi chorar pra tia..
Sua amiga do coração..

Tia tia..
A Frida foi má comigo
Fazia..
Um calor fodido
O cc era muito
To com o coração partido
O amor não é mútuo

Sua tia bem branda estava
Com a perna esticada
Sobre a bancada
Sem entender a mancada
Para empregada gritou
Cherazade chama o limpa fossa
Porque a fossa chegou..
E Fritz..

Naim naim naim..
No feda aqui também..

Fritz cansado disso..
Foi pro chuveiro
Usou tre semmé
Pensando disse..
Frida, nene de teta
Ainda pego focê..

Frida monocelha
Pior q o tony ramos
A pelagem de ovelha
Alemoa rosa
Com cara de mal
Saca só a prosa
Desse animal..

Frida se magoou
Foi a Fritz que nao superou

Fritz papacon..
Amo focê
Mais que o fuca do irmom.

Own frida
Sua patatinha.
Seja minha
Para toda bida..

Naim naim naim.

                                                     Lúcio Umpierre

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Eu sou um Zumbi

É um dia belo,
Abri a janela do 2º andar,
Eu vejo a chuva
E ouço motor e buzina.

É um dia belo,
Vou ir trabalhar,
Viver minha vida,
Atrás de uma mesa.

É um dia belo,
Vou ir me divertir,
Pegar aquela mina,
E depois eu dou o fora.

É um dia belo,
Morreu o Sr. Bin Laden,
Comemorei o fato
Vivendo de passagem.

Eu sou um zumbi
No mundo moderno.
Um vivo-morto,
Eu vivo no inferno.

Depois do dia belo,
O sol apareceu.
Eu não vejo chuva,
O motor e a buzina são meus.

Depois do dia belo,
Vou trabalhar mesmo assim.
Sobrevivendo desse jeito.
O mundo feito só pra mim.

Depois do dia belo,
Fico de ressaca,
E a mina que peguei
Não foi embora.

Depois do dia belo,
Sumiram com Bin Laden
Processarei os U.S.A.
Por ocultação de cadáver.

Eu sou um zumbi
No mundo moderno.
Um vivo-morto,
Eu vivo no inferno.
                                                                          Lúcio Umpierre