César acordava em meio às tosses, já que estava resfriado e ainda era madrugada. Era o dia da entrevista de emprego. Suas mãos tremiam de nevosismo, na voz rouca passava-se despercebido o medo que ele emitiria nela se não fosse pela gripe.
Não conseguia dormir, e resolveu ir à cozinha. Como não encontrou seus chinelos, foi descalço, contrariando as ordens dadas por sua mãe que disse para não andar descalço por causa do resfriado. Chegando na cozinha, foi à geladeira beber água, como não podia bebê-la gelada, ele misturou com água do filtro para ficar em uma temperatura agradável.
Como não conseguia dormir, resolveu assistir à televisão. Nenhuma programação o agradava, mas a que chegava mais perto de ser interessante era sobre a mitologia greco-romana. Normalmente ele não tinha paciência para ouvir história, religião, fantasia, e afins, muito menos uma história voltada à religião e fantasias de uma época longínqua. Porém, seu desinteresse se transformou e ele estava vidrado recebendo toda aquela informação, sua cabeça deglutia e saboreava cada informação, e caiu no sono.
César sonhou. Um mundo de vários deuses, semi-deuses, heróis, e seres fantásticos.
Em seu sonho, César era um humano comum amedrontado e fascinado com o poderio divino. Fez parte como figurante e espectador de grandes histórias, como Hércules e a Hidra, o Olimpo contra os Titãs, entre outros, sempre com medo e fascínio por tudo o que ele via, ouvia e sentia, até que ele se viu de frente com Hades, e ele se perguntava como chegou a tal ponto, havia morrido? Hades fugiu de seu submundo? Como ele agiria naquele momento? Iria se prostrar ao deus dos mortos? Um dos três grandes, irmão exilado de Poseidon e Zeus. Se esconder? Onde? Onde estou? E de repente ele ouve:
__Sinto cheiro de vida. Será que terei diversão finalmente? Faz tanto tempo que não torturo alguém vivo. Não tem o mesmo prazer quando é com os mortos. __Disse Hades em sua voz assombrosa.
Como agir? César nem pensou e saiu correndo para o nada, um escuro total, apenas sentia a presença de Hades, poderosa e onipotente naquele lugar.
César corria, sentia e ouvia.
Hades dizia:
__Vou te encontrar criaturinha, seu medo não permite que você saia daqui, ele é seu grilhão, e você não quer enxergar a chave. Sinto seu cheiro criaturinha. Onde você está? __Havia uma pausa, mas logo ele dizia __ Estou perto criaturinha. Sei que está correndo, pois ouço seus mebros se balançando no nada. Você não está saindo do lugar criaturinha. O escuro é uma esteira, você corre nele, mas ele nao permite que você saia do lugar. Sei que estou perto criaturinha.
César não parou, seu medo era latente em todo seu ser, e ele se desesperou ao ouvir tudo o que Hades dizia, e então ele parou e rezou.
Rezou a Eros, pois foi o primeiro deus que veio à sua cabeça. Ele rezou em seu consciente: "Eros, filho de Afrodite, peço seu auxilio e proteção para que eu possa me defender contra as forças de Hades. Faça de mim sua arma e seu escudo contra os horrores de Hades, faça que a coragem seja mais forte que o medo, e que eu seja capaz de sair vivo desse impasse que me prendi."
Mas continuou correndo, e ele ouvia sua consciência __Pare e espere, ele sente tudo que é ruim, então não sinta nada, principalmente medo. Vamos homem, espere! Espere! __Porém César continuou correndo.
Então depois de muito silêncio, César parou pra respirar pois acreditava que Hades havia ficado muito para trás e ele estava a salvo por enquanto. Ao recuperar o fôlego, ouviu:
__Te encontrei criaturinha. __E um ser enorme se materializou a sua frente, mas nada se via de tão negro que era, a única parte visível eram os olhos, vermelhos como sangue, emitiam sua própria luz. __Pensou que ia fugir de mim muito tempo? Quando parou de correr, o escuro o trouxe até mim, esse é um labirinto que só eu sei o caminho, e que só eu tenho o controle, só que agora estou cansado e não tenho como prendê-lo, decidi que vou matá-lo.
Os olhos de César se arregalaram, e como não enxergava uma saída, ajoelhou-se e esperou a morte.
Então uma luz apareceu do nada e Hades grunhiu de dor. César levantou a cabeça, e viu uma mulher emitindo uma luz rosa de seu corpo, com uma espada em mãos fincando a cabeça do deus do submundo. Ele caiu.
__Ele não vai ficar assim por muito tempo __Disse a moça.
__Quem é você? __Perguntou César.
__Sou Afrodite, e Eros está tentando te fazer um favor, ele quer saber se aceita o arco dele, é a única maneira de você sair daqui agora. __Ela embainhou a espada, que César percebeu que tinha a lâmina rosa, e depois levantou a mão, e de algum lugar surgiu um arco que pousou na mão dela com tanta força, que César concluiu que se fosse com ele, perderia o braço.
Ele olhou o arco depois passou os olhos à Afrodite.
__Não sei usar um arco, será inútil comigo.
__Bom, a escolha é sua. __Nisso, Hades começa a se levantar e César pega o arco com a Afrodite, e ele acorda.
César está novamente em seu sofá, o programa sobre mitologia grega está perto de acabar. Ele pensa no sonho que acabou de ter, e ri. Ele se levanta esfregando os olhos e se assusta quando ouve:
__Quer ser um deus?
César havia dado um pulo, olhou para trás e viu um rapaz, bonito, de cabelos ruivos e ondulados, eram grandes cabelos, se vestia comumente, com camiseta do Led Zeppelin, calça jeans, e tênis branco, e um arco em suas mãos.
__Quem é você? E o que faz na minha casa??
O estranho riu e disse:
__Sou Eros, e não estou na sua casa, e sim em sua cabeça. Vou repetir a pergunta, você quer ser um deus?
__Eu quero que você saia da minha casa, agora. __"Louco de pedra" pensou César.
__Isso vale como um não?
__Certo. Então, como pode me transformar em um deus?
__Passando minha essência para você. Já que ao tocar em meu arco você adquiriu meus poderes, é o candidato mais óbvio para meu lugar.
Depois de pensar um pouco, César disse:
__Você está se referindo ao sonho? Mas era um sonho.
__Primeiro, você está se convencendo de que sou o que digo o que sou, segundo, você ainda está em um sonho, terceiro, só porque é um sonho não significa que não é real.
__Vocês não são imortais?
__A essência é, mas nós temos a escolha, e com o tempo cansamos de viver.
__E a minha família? Ainda moro com meus pais, só tenho 19 anos, o que isso tudo implica?
__Você terá de deixar sua família, sua idade não importa, somos todos imperfeitos, e implica que será deus, simplesmente.
__Então obrigado, mas não quero. Eu não deixaria meus convívios para ser deus. Minha família é mais importante.
__Uma pena, eu realmente gostei de você. Mas entendo sua posição, eu não tinha família quando antigo Eros me ofereceu a divindade.
__E agora?
__Agora você acorda. __E Eros cutuca forte a testa de César.
César acorda em sua cama. Se arruma para ir pra entrevista de emprego na qual está atrasado, chegando lá, a mulher se apaixona pela sagacidade de César, e é contratado. Com o tempo, Muitas mulheres se apaixonam por ele, e ele também auxilia em muitos relacionamentos que passam pela vida dele.
Seu psicólogo diz que o sonho teve muito impacto em sua personalidade, e por isso ele é como é hoje, mas ele ainda fica na dúvida, o que será que teria acontecido se tivesse aceitado?
Lúcio Umpierre
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Chata
Cacete, eu amo ela demais..
Ela é a mais linda sereia
Ela é a mais linda flor
Ela é a mais linda cançao
Mas acho que ela nao me ouve mais..
Chata igual nao tem..
Seu normal nao é ser zen..
Mas quando fica assim..
Você não liga pra mim..
Ao que eu digo..
Ao que eu penso..
Ao que eu sou pra vc..
Eu não sei o que fazer..
Eu me esforço tanto..
Não faz sentido...
Tudo isso..
Mas pra que sentido em amar alguém?
Que está zen..
Oh meu bem..
O que eu fiz de errado??
Porque não valho o q eu valia antes??
Estou furado..
Estou vazando..
Emoções que estão à frente..
Porque isso??
Porque assim??
Quero que minha opinião,
valha mais que pra mim..
O que eu sou pra você?
O que eu sou pra você?
Diz pra mim..
Se nem conta mais com o que eu digo..
Diz pra mim..
Se vale a pena crer no q eu sigo..
Você sabe responder?
Pois eu te digo o seguinte..
Se for preciso viro pedinte..
E fico mendigando..
O seu amor..
A sua compaixão..
Quem sabe você não me adota de novo..
Eu te chamo..
É por mais..
É pelo te amo..
Que quero mais..
Lúcio Umpierre
domingo, 15 de dezembro de 2013
E o que o Sou o que sou me diz?
Sou o que sou,
Disse Deus uma vez,
Isso foi a um mês,
Perguntei hoje,
E ele nao se lembrou.
Onde está o sou o que sou?
Encontrei-o em meus pensamentos,
Que legar é este que me levou?
É o mundo dos arrependimentos.
Terra com cara d'água,
Sou presa no bico de águia.
Sou um nada no mundo dos ninguém.
Sou o que sou, me diz.
Se é normal,
Viver assim...
Sem ser feliz...
Por que voce é mais importante?
Por acaso sou mais um tratante?
Por que desses medos?
Me ajude, sou o que sou.
Nessa terra com cara de água,
Quero afogar minha mágoa.
Nesse ar com cara de fumaça,
Quero me sufocar com desgraça.
Me sufocar com desgraça,
É sem graça...
Mas é de graça...
E isso eu posso pagar.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Um conto de natal
Em véspera de
natal todo mundo fica feliz, as famílias se reúnem, os amigos se presenteiam, e
por aí vai, mas há sempre um espectador, alguém que nunca é visto e sempre está
lá, normalmente uma criança tímida com um amigo imaginário, ou um amigo
imaginário com uma criança tímida, não importa, está lá.
Kevin não era
humano, nem um amigo imaginário, pois ele existia eternamente, estava mais para
um fantasma, o estranho é que ele só acordava nas vésperas de natal, como se
ontem houvesse sido véspera de natal, hoje também, e amanhã novamente. Cada dia
seu, era um local diferente no globo, ontem em Toronto no Canadá, hoje em
Fukushima no Japão, e amanhã é sempre uma surpresa, as vezes em lugares que nem
se comemora o natal.
Era mais uma
véspera de natal, dessa vez ele estava em alguma cidadezinha do interior do
Brasil, estava sentado num meio-fio pensando no tempo, o seu tempo.
—Oi. —Disse uma
garota a ele.
—Oi. — Respondeu
Kevin, com leve surpresa.
A menina se sentou
ao seu lado.
—Você parece estar
triste, por quê?
Kevin pensou um
tempo e respondeu:
—Não sei ao certo,
acho que é por que não sei o motivo da minha existência, talvez seja alguma
bobagem, só sei que mal consigo pensar e já me entristeço.
—Deve ser bem ruim
estar triste na véspera de natal, eu não queria estar na sua pele.
—E você não está
ajudando muito a melhorar isso, não é? —Disse Kevin que começava a se incomodar
com a garota.
—E por que você
pensa que precisa de ajuda? Parece que só depende de você para ver o lado bom
das coisas, e com certeza existe uma razão para você estar aqui.
—Não acho
inteligente o modo como você vê as coisas, pra começar que você não é normal já
que está conversando comigo, e não consigo ver um lado bom para você em me ver.
—Eu vejo você
triste e quero mudar isso, e esse é o lado bom.
Kevin pensou.
—Você também é um
fantasma, não é?
—Sou meio
fantasma. Metade de mim está encarnada e presa à carne, mas posso ver, tocar,
sentir seres ectoplasmáticos, pois sou o lado bom do natal, sou a felicidade.
—Você não parece
ser muito feliz para ser a felicidade..
—Mas também não
estou triste para ser considerada a tristeza. — Ela olhou-o atentamente e
continuou. —Quando você descobrir sua razão de existir, irá virar metade carne
também.
—O que sou então?
—Isso você vai
descobrir sozinho.
—E quando vai ser?
—Vai depender de
você. — Então ela beijou-lhe a testa e foi embora, deixando-o com suas
perguntas engasgadas.
Kevin nem viu
quando ela foi embora, estava conversando sozinho olhando para o chão. Quando
percebeu que estava sozinho, riu da situação, levantou-se e começou a andar. Ao
passar por um hospital, resolveu entrar.
Enquanto os enfermeiros e médicos trabalhavam
forçadamente para cumprir horário havia várias pessoas deitadas nos corredores,
em macas nos quartos, alguns já com o lençol branco por cima do rosto, e suas
almas aflitas ansiando deixar seus corpos. Kevin se comoveu com a aflição deles
e os auxiliaram. Depois de ajudar à todas as almas saírem de seus respectivos
cadáveres, algo começou a acontecer com Kevin, e sua cabeça doía, seus membros
amoleceram, então ele desmaiou.
Kevin acordou com
uma enfermeira medindo sua temperatura.
—O senhor está se
sentindo bem? Acabou de levar um tombo. —Perguntou a enfermeira.
Kevin apertou os
olhos para ver quem falava com ele.
—Quem é você?
—Sou uma
enfermeira do hospital.
—Quero saber que
fantasma você é. —Disse naturalmente Kevin.
—Ah! Já entendi.
Acompanhe-me senhor, por favor, vou levá-lo até a área psiquiátrica.
Então Kevin soube
que ela era humana, pois não entendia do que ele estava falando, e nem ele do
que ela falava.
—Desculpe, não
pretendo conhecer sua psiquiátrica. Vou para casa. Onde fica a saída? —Disse
Kevin à enfermeira.
Enquanto Kevin de
dirigia a saída, ele percebeu que algo havia mudado nele, mas ainda não sabia
dizer o quê, mas diferente de antes sua cabeça doía com a pancada que levou ao
cair no corredor.
Ele sentiu agonia
em todos os lados, ele era um radar de agonia humana, e ela estava mais do que
presente ali. Ele foi até uma sala onde tinha uma senhora vivendo por meio de
aparelhos, segurou-a na mão, conversou um pouco com a alma que estava presa à
carne, e então lhe puxou do corpo, a senhora agradeceu, deu as costas ao Kevin
e entrou num turbilhão de luz, que Kevin enxergava muito bem, era o paraíso
dela.
Ao sair do
Hospital, a felicidade estava à espera dele.
—Oi. —Disse ela.
—Oi. —Disse ele.
—Então, descobriu
qual sua razão de existir?
—Sim. —Respondeu
ele secamente.
—E qual é?
—Perguntou ela com ansiedade.
—Eu sou o auxilio
dos aflitos, para não passarem o natal com dores, tantos as da carne, quanto às
da alma. — Respondeu secamente de novo.
—De certa forma, é
belo.
—É sim. —E
deixou-a para trás para ir até um motoqueiro que havia acabado de se acidentar.
Assim foi o dia de
Kevin, e quando chegou as 23:59 do dia, ele sumiu, mas logo acordou no dia 24
de dezembro do outro ano, dessa vez em Buenos Aires na Argentina.
Lúcio Umpierre
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
A sombra
Ricardo se despedia da namorada para ir para
casa, era tarde da noite, mas ainda não havia virado o dia. Ela morava no
último andar de um prédio, e no corredor de frente aos elevadores, eles davam o
último beijo quando um raio caiu bem perto.
__Se um raio cair em cima de mim enquanto eu estiver
indo para casa, saiba que morri brilhando.__ Disse Ricardo rindo.
Sua namorada respondeu com um tapa no peito e disse:
__Não brinca com isso. As palavras tem poder.__ E
então abraçou Ricardo, que deu um sorriso torto de prazer.
Ricardo entrou no elevador apertou o botão com
número um, deu uma última piscadela para sua namorada antes de a porta fechar e
esperou o elevador começar a descer, pegou o celular para olhar as horas e viu
que estava sem bateria.
__Pra variar__ Resmungou Ricardo para si.
Ao passar na portaria, o guarda noturno estava
dormindo, ele abriu a porta sem fazer barulho e foi para casa. Sua casa não era
longe, mas também não era perto, sem falar que é perigoso sair de noite a pé.
O céu estava nublado e trovejando, a chuva era
iminente, portanto ele sabia que tinha de ser rápido, o que não adiantou, pois
não fazia cinco minutos que havia saído da residência de sua namorada e começou
a chover. Ele correu até um mercado que havia no caminho, onde ele sabia que
tinha um toldo que ia protegê-lo da chuva. Chegou ao toldo, e despencou água do
céu. O toldo estava rasgado e mal colocado na parede, chovia tanto dentro
quanto fora. Ricardo olhava para a praça que tinha em frente ao mercado, com
enfeites de natal, quase não se via eles, dava-se de saber pelas luzes quase
ocultas na chuva.
Ricardo se lembrou da lanchonete que tinha ao lado
do mercado e que tinha um toldo bem maior e provavelmente em melhor estado,
correu uns segundos na chuva, e chegou lá. Havia um casal também, e para
evitá-los, Ricardo foi para o outro lado do toldo, que não chegava uma gota de
chuva sequer. Cansou de esperar e sentou-se, estava um pouco sujo o chão, mas
não estava molhado. Cansado e com sono, Ricardo brigava consigo mesmo para não
dormir, mas não adiantou, e ele caiu no sono.
Ele acordou com um grito de repente. A chuva ainda
caía pesadamente, e ele supôs que não dormiu muito. Olhou para o lado, e viu a
mulher tentando arrombar a porta da lanchonete desesperadamente, olhou para
onde estavam antes, e viu uma espécie de sombra puxando o corpo do homem que
estava inconsciente ou morto para a água que corria escura na rua, era raso,
pois não era nenhuma enchente, mas o corpo sumiu na água, como se fosse um rio
que tinha ali. Ricardo estava assustado, a mulher havia batido a cabeça
enquanto tentava arrombara a porta, e estava desmaiada no chão.
Ricardo foi tentar acordá-la, mas sem sucesso, e ao
olhar para o lado ele viu outra sombra saindo da água. Ele colocou a mulher nos
ombros e saiu correndo na chuva, quando chegou na esquina, ele foi
obrigado a entrar na água, e como esperado, era raso. Ele correu para a praça,
e tropeçou num banco que a chuva escondeu, e com a queda, a mulher acordou. Ela
viu a sombra e gritou. Parecia um rugido de tão poderoso que foi o grito.
__Não basta todos que você tirou de mim? O que mais
você quer de mim?__ Gritava a mulher.
A sombra tremeluzia na chuva, mas podia ser vista,
era lenta, mas não se podia deixar enganar. A mulher pegou uma barra de ferro
que tinha por ali, e correu na direção da sombra, girou a barra que atravessou
a sombra como vento, e a mão da mulher adentrou a sombra também, ela soltou um
grito de agonia, a sombra parecia engolir de pouco em pouco o braço da mulher.
Ricardo foi até ela e puxou seu braço, estava sem a metade o antebraço, então
Ricardo fez um torniquete com sua regata, e perguntou para ela:
__Você sabe o que é aquilo não sabe?
__É o tipo de coisa que você não gostaria de
saber.__ Respondeu ela se levantando.
__Mas que agora sei que existe, só não sei o que é,
dá no mesmo, me diz logo que porra é aquela.
__Meu ex-namorado.__ Disse ela olhando para os lados
a procura da sombra.
Ricardo parou para juntar as palavras novamente em
sua cabeça, não conseguia dar um sentido para elas.
__Como assim?__ Disse ele perplexo.
__Meu ex, eu o matei, e ele vem me atormentando.
__Disse ela como se fosse algo normal.
Ricardo pegou uma pedra que era do tamanho de sua
mão, e bateu atrás da cabeça dela. Deixou o corpo dela estatelado lá na grama
da praça, e saiu, ao olhar para trás, viu a sombra que tomou a forma de um
homem, movimentou positivamente a cabeça, e Ricardo respondeu com o mesmo
movimento. O homem olhou para cima segurando a mulher pelo pescoço, e um raio
caiu em cima deles. Como Ricardo não estava longe, o raio se propagou pela água
e a carga elétrica passou pelo corpo de Ricardo, que caiu.
Ao acordar, Ricardo percebeu que não estava em casa,
apertou os olhos para ver de onde vinha tanta luz, e reconheceu o lugar como um
quarto de hospital, sua namorada estava com a cabeça deitada sobre seu colo e
ela dormia. Ricardo passou as mãos nos cabelos dela que acordou imediatamente.
__Oh! Meu amor, fiquei tão preocupada aquela noite.
Você não respondia minhas mensagens, e quando eu ligava dizia que estava
desligado.
__Tinha acabado a bateria. __Disse ele sorrindo por
saber que poderia aproveitar mais da vida.
__Eu te amo. Não me dê outro susto desses.__ Disse
ela com deleite na voz.
__Não pretendo! __Ele fechou os olhos brevemente e
ao abri-los, ele viu uma sombra com cabelos esvoaçantes atrás de sua namorada.
Ricardo sabia. Era aquela mulher.
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
A vida
Vida!
Temida!
De idas,
E vindas!
Sofrida!
Vencida!
Vivida!
Miúda!
Moída!
Longe da morte,
Com sorte!
Me ensina,
E fascina,
O poder,
Natural,
E desigual
Dos homens,
Que somem
A cada dia,
Quem diria?
Vivo sem querer,
Querendo viver!
Lúcio Umpierre
A fonte de Taguatinga
A fonte,
no horizonte,
me desmonte.
Rodeada de seres sem valor,
que não recebem,
a energia de seu esplendor.
Que na luz refletida
da alvorada,
a natureza agredida,
exaltava.
Que na luz refletida,
do crepúsculo,
me deixa e eu fico,
lúcido.
Olho para cima
e vejo um relógio.
Quebrado! Para variar,
pois foi assim que gostei,
não vi a hora passar.
A água,
que parecia levitar,
de repente
vinha me abraçar.
Mas não fiquei molhado,
eu fui,
apaziguado.
Agora apaixonado,
pela violenta calma,
fui fisgado,
era um anzol na alma.
Chegou a hora,
de ir embora,
e com demora,
fui,
pensando em voltar!
Lúcio Umpierre
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